Chegar à marca de 30 livros publicados é olhar para trás e ver uma estrada longa, percorrida com uma paixão inabalável por contar histórias. Hoje celebro esse trigésimo marco literário com vocês, entregando o segundo volume da nossa jornada mais ambiciosa: a Coleção Vozes do Reino.
Se no primeiro livro (Mateus) fomos apresentados ao "Evangelho do Rei" com o luxo e a majestade de Eça de Queiroz, agora preciso pedir que vocês preparem o fôlego. O cenário mudou drasticamente.
O Evangelho de Marcos é o relato da urgência. Não há tempo para genealogias ou infância serena. É o Evangelho da ação contínua, da sobrevivência bruta, onde a palavra "imediatamente" dita o ritmo. É a história de um Deus que se fez Servo e que marcha, suado e exausto, curando doentes, enxotando demônios violentos e enfrentando a morte de frente.
Para reescrever esse ritmo ofegante, sem perder uma vírgula da fidelidade teológica e histórica, eu precisava de uma pena que cortasse os excessos. Uma prosa seca, direta e visceral. Por isso, convoquei a genialidade do mestre do regionalismo brasileiro: Graciliano Ramos.
Em Marcos: O Evangelho do Servo, a linguagem poética dá lugar ao músculo da narrativa. Através da estética de Graciliano (lembrando a crueza magistral de Vidas Secas), você não vai apenas ler sobre os milagres; você vai sentir a garganta secar com a poeira da Galileia. Vai sentir o terror primitivo dos discípulos na tempestade, o desespero do pai do menino epiléptico, a tensão de um julgamento clandestino e a dor nua e crua do madeiro.
A jornada é dura e não tem romantismo. O Mestre vai à frente, com os pés rachados e o olhar decidido rumo ao Calvário.
Esqueça as narrativas amenas. Respire fundo e junte-se a nós nesta caminhada implacável.

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